As tarifas de energia elétrica devem ficar mais pesadas para o consumidor brasileiro ao longo de 2026. A estimativa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é de uma alta média de 8% nas contas de luz, percentual que acende um alerta por superar com folga a inflação projetada para o período.
A diferença chama atenção porque o avanço previsto para a energia praticamente dobra a estimativa do mercado para o IPCA, índice oficial de inflação do país. No Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (16), a projeção para a inflação de 2026 ficou em 4,1%, reforçando o descompasso entre o reajuste da eletricidade e o comportamento geral dos preços.
A projeção foi detalhada pelo diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, em entrevista ao programa Alta Voltagem, da CNN Infra. Segundo ele, a expectativa de aumento médio de 8% preocupa justamente por ficar acima de indicadores como o IPCA e o IGP-M, o que amplia a pressão sobre o orçamento das famílias e das empresas.
Esse cenário já começa a ser sentido em diferentes distribuidoras do país. Em janeiro, a Roraima Energia teve reajuste tarifário aprovado pela Aneel, com impacto médio elevado nas contas. Já em março, consumidores atendidos pela Light e pela Enel Rio também passaram a conviver com novas altas, na faixa de 8,6% e 15,6%, respectivamente.
De acordo com a agência reguladora, o principal vetor dessa pressão tarifária está nos encargos do setor elétrico. Entre eles, ganha destaque a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo custeado pelos próprios consumidores e destinado a bancar subsídios e políticas públicas da área de energia.
Com isso, a perspectiva para 2026 é de continuidade da pressão sobre a conta de luz em todo o país. Mesmo com inflação em patamar mais moderado, a energia elétrica deve seguir como um dos itens de maior peso no bolso do consumidor, impulsionada por custos estruturais que vão além da variação geral dos preços.

