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Receita de exportações de peixes aumenta no Brasil e MS é o segundo maior do País

A receita das exportações brasileiras de peixes aumentou 15% no ano passado e chegou a US$ 23,8 milhões, um recorde, estima a Embrapa Pesca e Aquicultura, que fez o levantamento em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR). Mato Grosso do Sul é o segundo a figurar no ranking de vendas externas, puxado pela tilápia. As informações foram publicadas em matéria do jornal Valor Econômico, e o Estado de São Paulo, neste final de semana.

O crescimento da oferta, especialmente de tilápia, e a busca por novos canais de venda em meio à estagnação da demanda interna deram impulso aos embarques, segundo Manoel Pedroza Filho, pesquisador da Embrapa. “O avanço do setor é o resultado do aumento da profissionalização e da escala de produção das empresas. Isso permitiu a entrada no mercado internacional que é bastante exigente em termos de qualidade e volume”, pontuou.

De acordo com o presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros, o volume da piscicultura nacional cresceu 2%, para 860 mil toneladas. Ele afirma que a tilápia predomina nos negócios, mas que os peixes nativos continuam tendo muita relevância.

Embrapa e Peixe BR projeto um forte aumento das vendas no segundo semestre. A perspectiva de reabertura do mercado europeu para o pescado brasileiro, que está fechado desde 2018, é um dos fatores que alimentam as expectativas de nova expansão em 2023.

No ano passado, o primeiro semestre foi melhor do que o segundo, com embarques de US$ 14,3 milhões. O montante foi do que o dobro das exportações do mesmo período de 2021.

Principais destinos
Pouco mais de 80% das exportações foram para os Estados Unidos – o país importou o equivalente a US$ 19 milhões, ou 43% a mais do que no ano anterior. No ranking dos compradores do pescado brasileiro aparece, em um distante segundo lugar, o Canadá, com 5%.

O pesquisador da Embrapa relata que os americanos compraram majoritariamente peixes congelados, filés frescos ou refrigerados e filés congelados. “No caso deste último, as exportações aumentaram 80%, o que reforça uma tendência de crescimento dessa categoria que tínhamos detectado ao longo de 2021”, realça.

Dentre os Estados que exportaram peixes em 2022, o Paraná liderou, com 58% do total. Mato Grosso do Sul e Bahia apareceram na sequência, com fatias de 18% e 11%, respectivamente.

A receita com os embarques de tambaqui foi a segunda mais alta – o montante, de US$ 268 mil, foi 51% menor do que o de 2021. A categoria dos surubins ficou na terceira posição, com US$ 114 mil. O crescimento no ano, de 186%, foi o maior entre todas as espécies.

Gleriani Ferreira, pesquisadora e professora da FIA Business School, diz que o mercado de peixes criados em rios poderia ser muito maior. A grande dificuldade, afirma, é a escassez de frigoríficos habilitados pelo Sistema de Inspeção Federal (SIF) na Amazônia. A certificação permite vender produtos de origem animal em todo o país e também no mercado externo.

“Existe uma burocracia muito grande para liberar frigoríficos na região. Acompanhei projetos que levaram anos, principalmente no Amazonas. A licença nunca sai”, contou a pesquisadora. Ela defende que o governo, com ajuda dos pesquisadores da Embrapa, mapeie áreas que podem se beneficiar da atividade industrial e facilite as condições para os empresários.

Segundo Gleriani, além de seu potencial gastronômico, os peixes amazônicos poderiam servir de matéria-prima para outros segmentos. “O pirarucu, por exemplo, que tem um couro tão resistente quanto o bovino, poderia ser processado para produção de óleo e farinha para rações de animais de estimação. Para essa cadeia crescer, tem que se trabalhar também esses subprodutos”, afirma a pesquisadora.

Ela acredita que o Brasil tem tudo para desenvolver um produto de alto valor agregado, rastreado e com selo de sustentabilidade.

Da Assessoria da semadesc com informações do Valor Econômico

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