Com pesquisa e transferência de tecnologia da Embrapa Agropecuária Oeste, quilombolas de MS apresentam produtos de mandioca e cana na Feira Brasil na Mesa
A Embrapa Agropecuária Oeste estará presente na Feira Brasil na Mesa, levando ao público os sabores e os resultados de um trabalho contínuo de pesquisa e transferência de tecnologias desenvolvido junto à comunidade quilombola Furnas do Dionísio, em Jaraguari/MS. A iniciativa integra ações voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar, com foco na melhoria da produção de mandioca, mamão e cana-de-açúcar, matérias-primas essenciais para a fabricação de farinha e rapadura.
“Mais do que apresentar produtos, a presença da Embrapa Agropecuária Oeste, junto a essa comunidade, evidencia como a ciência, aliada ao conhecimento tradicional, pode transformar realidades, promovendo inclusão socioprodutiva e destacando a riqueza cultural e alimentar do Brasil”, explica o chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Unidade, Auro Akio Otsubo.
Os alimentos que farão parte da Feira para degustação são resultado do cultivo e da produção da comunidade quilombola. Os três tipos de rapadura (nas versões tradicional, de amendoim e de mamão) e as farinhas de mandioca artesanal produzidas com variedades de mandioca de mesa e de indústria da Embrapa (BRS 429, BRS 399, BRS CS01, BRS 317, BRS 318, BRS 319, entre outras), com resultados superiores aos de outras variedades que a comunidade plantava, representam a tradição cultural da comunidade, mas também refletem os avanços obtidos com o apoio da pesquisa e da transferência de tecnologia da Embrapa Agropecuária Oeste.
No caso da cana-de-açúcar, foram realizados avaliações e monitoramento ao longo de um ano para definir a curva de acúmulo de açúcar das cultivares já utilizadas pela comunidade. O objetivo foi identificar o momento ideal de colheita, ou seja, quando a cana apresenta maior teor de açúcar e garante melhor rendimento no processamento industrial. Além disso, foram introduzidas variedades mais precoces no quilombo, ampliando as opções de cultivo e possibilitando colheitas com alto teor de açúcar durante todo o ano.
Desde 2023, o projeto vem promovendo a introdução de cultivares mais produtivas, capacitações técnicas, buscando o aprimoramento dos processos de manejo das culturas. Segundo Otsubo, o objetivo é ampliar a produtividade, reduzir custos e agregar valor aos produtos tradicionais, fortalecendo a geração de renda, o fortalecimento das cadeias produtivas locais e melhorias na qualidade das matérias-primas dos produtos típicos, produzidos de forma artesanal e com identidade cultural das comunidades quilombolas.
Para Harley Nonato de Oliveira, chefe-geral da Embrapa Agropecuária Oeste, que estará presente no evento, a presença desses produtos na feira “demonstra, na prática, como a integração entre ciência e saber tradicional tem contribuído para qualificar a produção, valorizar a identidade quilombola e abrindo novas oportunidades de mercado. Mais do que alimentos, são resultados concretos de um modelo de desenvolvimento que alia inovação, sustentabilidade e inclusão socioprodutiva”.
Trabalhos de pesquisa – Além dos produtos, a Embrapa Agropecuária Oeste também enviou como resultados a implementação dos trabalhos de pesquisa do Sisteminha Embrapa, tecnologia desenvolvida para pequenos espaços, em áreas urbanas e rurais, em Territórios Indígenas da Reserva Indígena de Dourados – RID (Dourados/MS), da Te’yíkue (Caarapó/MS) e da Panambizinho (Dourados, MS); do Sistema Appia (Agroecossistema de Produção Policultural Integrado de Alimentos), sistema agrícola horticultural diversificado (piscicultura, manejo de solo, infraestrutura e diversificação) para inclusão socioprodutiva da agricultura familiar. A tecnologia, que foi certificada neste ano de 2026 como tecnologia social no 13º Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, foi implantada inicialmente na comunidade quilombola Furnas do Dionísio, onde a Unidade de Referência Tecnológica (URT) tem servido de modelo para dezenas de famílias.
Feira Brasil – O evento, alusivo ao aniversário da Embrapa, será realizado entre os dias 23 e 25 de abril de 2026, na Embrapa Cerrados, em Planaltina/DF. O evento tem como objetivo valorizar os alimentos da sociobiodiversidade brasileira e aproximar produtores, pesquisadores e consumidores. A iniciativa reforça o papel da pesquisa pública na promoção do desenvolvimento sustentável e na valorização de saberes tradicionais.
A participação na feira também representa uma oportunidade estratégica para ampliar mercados e conectar os produtos da agricultura familiar e de comunidades tradicionais a novos públicos. A programação do evento inclui degustações, feira de produtores e experiências gastronômicas, criando um ambiente propício à valorização desses alimentos e ao fortalecimento da sociobiodiversidade brasileira.



