Campanha busca conscientizar sobre o autismo e tornar a sociedade mais acolhedora
A campanha Abril Azul acontece durante todo o mês de abril, promovendo a conscientização e o respeito à neurodiversidade, combatendo o preconceito e dando visibilidade às pessoas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Esse ano, a campanha nacional de conscientização do autismo tem como tema: “Autonomia se constrói com apoio e respeito”. O objetivo é mostrar que a autonomia de pessoas com TEA depende do suporte coletivo, família, escola, saúde e do respeito ao ritmo individual.
A Rede HU Brasil, reforça seu compromisso com a causa, ressaltando a importância da inclusão e da conscientização sobre o autismo. Com 157 colaboradores diagnosticados com TEA, a estatal mostra que, com direitos garantidos, respeito e inclusão, os neurodivergentes podem se destacar e contribuir significativamente no trabalho e na sociedade.
Segundo Cláudia Siqueira Besch, médica especialista em medicina do trabalho do Serviço de Saúde Ocupacional e Segurança do Trabalho da HU Brasil, a empresa também ganha ao receber uma maior diversidade de profissionais, produzindo um ambiente de acolhimento às diferenças. Para ela, o trabalho também é uma forma de trazer inserção social e garantir o desenvolvimento de habilidades de comunicação social, uma área afetada no TEA.
“Considerando que pessoas autistas estão entre os indivíduos com maior taxa de desemprego e, quando inseridos no mercado de trabalho, têm maior índice de demissão e menores salários, comparado à população geral, a oportunidade de vagas em concurso público para pessoas com TEA é uma forma de promover maior equidade para elas”, disse Cláudia Besch.
Conforme o psicólogo organizacional e do trabalho do HU-Unifap, Wendell Rogério Marques, o autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento de base genética e hereditária. “Caracteriza-se por uma organização cerebral atípica que gera dificuldades persistentes na comunicação e interação social, além da presença de padrões de comportamento repetitivos, interesses restritos e sensibilidades sensoriais específicas”, frisou.
Ele aponta que é importante o diagnóstico precoce visando ações mais eficazes para pessoas neurodivergentes. “Isso permite intervenções terapêuticas enquanto o sistema nervoso é mais adaptável, maximizando o desenvolvimento de habilidades funcionais, promove a autonomia e reduz significativamente a necessidade de suporte intensivo na vida adulta”.
Espaço de Inclusão
Segundo especialistas, os locais de trabalho devem ser espaços de acessibilidade e respeito, permitindo que profissionais com TEA contribuam positivamente para a equipe. Isso amplia o olhar sobre o trabalho, convivência e a importância de reconhecer as potencialidades de cada pessoa, enriquecendo o ambiente e promovendo a inclusão.
Superando desafios
Na Rede HU Brasil, colaboradores com TEA trazem histórias inspiradoras de superação, demonstrando profissionalismo em suas funções. Suas experiências enriquecem o ambiente de trabalho e impulsionam a valorização da diversidade.
Mãe atípica
A psicóloga organizacional e do trabalho, Aline Zottos, é uma mãe atípica que faz a diferença no Humap-UFMS. Mãe de Eduardo, de 9 anos, Aline destaca a importância do acolhimento: “Amparo é o que mais precisamos. Seja entre as pessoas da família ou no ambiente de trabalho. Infelizmente, por ausência de conhecimento ou simplesmente por não conseguir se colocar no lugar do outro, existe muita falta dessa acolhida para nós, mães atípicas”, disse.
Para Aline, os desafios são enormes, principalmente pelo preconceito e pela falta de empatia. “Luto muito pelos direitos e pelo respeito que meu filho merece, mas não é fácil. A rotina de uma criança com autismo é exaustiva, pois, além dos desafios na escola, tanto na aprendizagem quanto na parte de socialização, são inúmeras terapias”, disse. Hoje seu filho faz duas terapias por dia e em quatro especialidades diferentes, distribuídas ao longo da semana: Terapia Ocupacional, Terapia Cognitivo Comportamental, Fonoaudiologia e Psicomotricista.
A redução de carga horária para acompanhamento de filhos com deficiência é um direito importante para muitas famílias. Segundo Aline, “A Rede HU Brasil proporcionou para nós, responsáveis por filhos com deficiência, a redução de carga horária para acompanhamento do tratamento. Sou muito grata por isso, pois é impossível conciliar uma carga horária de 40 horas semanais e o tratamento do meu filho”.
Atualmente, a profissional trabalha na Unidade de Desenvolvimento de Pessoal, ligada à Divisão de Gestão de Pessoa, onde é acolhida e respeitada, tanto como pessoa quanto como mãe de uma criança com autismo. Segundo ela, não é assim em todos os lugares. “Na minha lotação anterior, sofri muito por comentários maldosos. Hoje sou feliz onde trabalho”, acrescentou.
A importância do acolhimento é destacada pela profissional: “Acolher e escutar. Quando ouço uma mãe que descobriu recentemente o diagnóstico, é sempre a mesma coisa, ninguém escuta e, por muitas vezes, romantizam a situação. Meu filho é a melhor coisa que eu poderia ter na vida, mas exige um investimento pessoal muito grande da família. Não romantizem e acolham as famílias”, concluiu.
Muitas são as histórias de sucesso de trabalhadores autistas. Uma delas é a do enfermeiro Ítalo Cunha Barbosa, de 39 anos, chefe substituto da Unidade de Bloco Cirúrgico e Processamento de Material Esterilizado (UBCME) do Hospital Universitário da Universidade Federal do Amapá (HU-Unifap), vinculado à estatal HU Brasil. Ele foi admitido no HU-Unifap em setembro de 2021 como técnico de Enfermagem, antes mesmo de descobrir seu diagnóstico de TEA.
“Em dezembro de 2023, fui convocado como enfermeiro”, conta Ítalo. No entanto, o caminho para o diagnóstico foi desafiador, diante do alto custo envolvido nos testes de investigação do TEA, ele só pode iniciar seu processo de acompanhamento com a neuropsicóloga após abril de 2024. Ítalo recebeu o laudo da neuropsicóloga em dezembro de 2024 e do psiquiatra em fevereiro de 2025.
“Minha maior dificuldade foi me adaptar às mudanças inesperadas em minha rotina diária, bem como o excesso de barulho. Em alguns momentos, tenho que utilizar abafador de ruído”. A declaração de Ítalo ressalta a importância da inclusão e conscientização sobre o autismo, reforçando o compromisso do HU-Unifap com a causa. Com 12 colaboradores diagnosticados com TEA, o hospital mostra que, com direitos garantidos, respeito e inclusão, os neurodivergentes podem se destacar e contribuir significativamente no trabalho e na sociedade.
Aceitação
“A aceitação do diagnóstico e compartilhamento com todos os que trabalham comigo foi o ponto primordial e focal para conseguir lidar com as dificuldades”, afirma o chefe da UBCME. “Aliado ao TEA, também fui diagnosticado com TDAH, com predomínio de desatenção. Posso afirmar que o acompanhamento profissional e o uso dos medicamentos trouxeram maior qualidade de vida”, completa. Ítalo também destaca a compreensão dos colegas de trabalho: “Eles compreenderam o fato de eu ser neurodivergente, e são bastante empáticos nos momentos em que tenho as crises de ansiedade ou irritabilidade”.
Chefia da UBCME
“Com experiência profissional, conhecimento técnico, vivências e muita dedicação, consegui conquistar uma vaga na chefia da UBCME”, enfatiza o enfermeiro, destacando o apoio da equipe: “Tenho muito apoio de todos que trabalham comigo, como os enfermeiros e técnicos de enfermagem do Bloco Cirúrgico e da CME”. Sobre seus planos para a unidade, ele afirma: “Temos investido em treinamentos, aperfeiçoamento das rotinas atuais, criação de POP’s e instituição de novos protocolos. O foco atual é sobretudo no desenvolvimento de habilidades e competências das equipes da UBCME”, ressalta Ítalo.
A presença de profissionais como Ítalo Cunha e Aline Zottos contribui para um ambiente de trabalho mais humano e inclusivo. Oferecer suporte adequado, combater preconceitos, acolher as famílias e respeitar o ritmo de aprendizado de cada um são aspectos essenciais para a qualidade de vida das pessoas com autismo.
Sobre a HU Brasil
Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.

