O percentual de famílias endividadas em Campo Grande voltou a crescer em abril deste ano e atingiu 72%, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O índice é superior ao registrado em março, quando o percentual era de 70,1%, e também supera o resultado de abril de 2025, que ficou em 65,8%.
Em números absolutos, o total de famílias endividadas na Capital passou de 246,3 mil em março para 253 mil em abril. Também houve aumento entre os consumidores com contas em atraso, que passaram de 28% para 29,5% no período, o equivalente a aproximadamente 103,6 mil famílias. Já o percentual daqueles que afirmam não ter condições de pagar as dívidas atrasadas chegou a 13,1%, representando cerca de 46,1 mil famílias.
A economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio MS (IPF/MS), Regiane Dedé de Oliveira, explica que o avanço do endividamento está relacionado ao maior uso do crédito pelas famílias em meio ao cenário econômico atual. “O crédito continua sendo uma ferramenta importante para manutenção do consumo, especialmente diante do aumento do custo de vida. O problema ocorre quando parte dessas famílias começa a enfrentar dificuldades para equilibrar orçamento e renda, elevando os índices de inadimplência”, avalia.
Entre os tipos de dívida mais comuns, o cartão de crédito segue na liderança, citado por 66,6% dos entrevistados. Em seguida aparecem os carnês, com 19,8%, crédito pessoal, com 12,8%, e financiamento de veículos, com 12,1%.
A pesquisa mostra ainda que, entre as famílias endividadas, 41% possuem contas em atraso. Deste total, 44,5% afirmam que não terão condições de quitar os débitos no próximo mês. O tempo médio de atraso ficou em 66 dias e quase metade dos consumidores inadimplentes (47%) possui contas vencidas há mais de 90 dias.
Outro dado que chama atenção é o comprometimento da renda. Em média, 29,4% do orçamento familiar está comprometido com dívidas. Para 14,2% dos entrevistados, mais da metade da renda mensal já está destinada ao pagamento de débitos.
Segundo a economista Regiane Dedé, o cenário exige atenção das famílias para evitar o agravamento da inadimplência. “O aumento do endividamento não é necessariamente negativo quando existe capacidade de pagamento. O desafio está no crescimento das contas em atraso e no número de consumidores que já afirmam não conseguir quitar suas dívidas. Isso reforça a importância do planejamento financeiro e do uso consciente do crédito”, destaca.
Confira AQUI a pesquisa.

